MATOS, Laudiceio Viana. Cultivo da palma forrageira ‘Gigante’ em agroecossistemas do semiárido baiano. 2020. 150p. Tese (Doutorado em Produção Vegetal no Semiárido) – Universidade Estadual de Montes Claros, Janaúba-MG. Orientador: Sérgio Luiz Rodrigues Donato – IFBaiano – Campus Guanambi. Coorientadores: Marcos Koiti Kondo – Unimontes e João Luiz Lani – UFV.

Diante do seu potencial de adaptação às condições climáticas da região semiárida, associada à escassez de alimentos para os animais durante os longos períodos de estiagem, a palma forrageira ‘Gigante’ (Opuntia fícus-indica Mill) constitui fonte energética e hídrica para os animais, além de ser uma cultura mais acessível aos agricultores familiares. As condições edafoclimáticas dos agroecossistemas de cultivo, características genotípicas da planta e o sistema de manejo adotado podem influenciar a qualidade nutricional da palma forrageira utilizada na alimentação animal. A palma estabelece alta interação com o ambiente de cultivo. Portanto, pressupõe-se que a estrutura da planta, constituição mineral e bromatológica dos cladódios, produtividade de massa verde e qualidade da forragem produzida estão em função da inter-relação de fatores edafoclimáticos (agroecossistemas), sistema de produção (manejo) que envolve o homem e os seus saberes, e o genótipo da planta. Desse modo, tem-se o desafio de estabelecer a melhor relação planta-ambiente-homem e maximizar o potencial produtivo da cultura. Objetivou-se realizar a caracterização dos solos de sistemas tradicionais de produção de palma forrageira e inter-relacioná-la com a produtividade e estrutura da planta, a composição mineral e bromatológica dos cladódios em agroecossistemas do semiárido baiano. Foram estudados cinco agroecossistemas: 1 – Distrito Irrigado de Ceraíma, Guanambi-BA (14° 17’ 40” S; 42° 42’ 44” O); 2 – Vale do Iuiu, Iuiu-BA (14° 23’ 50” S; 43° 27’ 07” O); 3 – Maniaçu, Caetité-BA (13° 48’ 50” S; 42° 24’ 32” O); 4 – Baixio, Riacho de Santana-BA (13° 32’ 08” S; 43° 09’ 19” O); 5 – Morrinhos, Guanambi-BA (14° 14’ 02” S; 42° 37’ 08”). A coleta dos tecidos da palma forrageira foi realizada no período de agosto a setembro de 2017. Utilizou-se delineamento em modelo hierárquico, com as parcelas de plantas dispostas em três repetições dentro do fator sistemas de produção de palma forrageira representado por quatro propriedades, dentro de cinco agroecossistemas, totalizando 20 propriedades de produtores tradicionais. Ceraíma e Iuiu, ambientes com maior fertilidade natural, possibilitaram a expressão das maiores produtividades anuais de massa verde. O maior número de cladódios por planta foi obtido em Morrinhos e Ceraíma. No entanto, Maniaçu produziu cladódios com maior largura e, juntamente com Ceraíma, tiveram os cladódios com maior comprimento. Além de alcançar os melhores resultados estruturais dos cladódios por planta, Maniaçu destacou-se com as maiores médias nos teores de proteína bruta e de fibra em detergente neutro, que conferem melhor qualidade do cladódio para uso como forragem. Os agroecossistemas influenciaram mais o comprimento e a largura dos cladódios, a matéria orgânica e o material mineral na planta. Os sistemas de produção estabelecidos pelos produtores afetaram a produção de massa de cladódios por planta, a produtividade de massa verde, a área total de cladódios e o número de cladódios produzidos por planta, os níveis de matéria seca, nitrogênio, proteína bruta e fibra em detergente neutro. Apesar de serem mais influenciados pelo sistema de produção, a altura de planta e a espessura de cladódios foram similares entre as áreas de cultivo da palma forrageira. As características mais afetadas pelo efeito da planta (genótipo) foram os teores de gordura ou extrato etéreo (EE) nos cladódios, a capacidade de produção de massa por cladódio e os teores de fibra em detergente neutro nos tecidos dos cladódios. Espera-se que os resultados gerados nesta pesquisa possam contribuir no aprimoramento de sistemas de produção da palma forrageira que reconheçam as especificidades dos agroecossistemas, maximizando o potencial produtivo da planta e favorecendo sua capacidade de convivência com as limitações ambientais.

Palavras-chave: Opuntia ficus-indica; ambiente; qualidade da forragem; rendimento; manejo; conhecimento local.

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